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Por Thais Monteiro Magalhaes | 29/06/2026

O equilíbrio entre cuidar de quem precisa e cuidar de si mesmo

Cuidadores também necessitam de suporte emocional. Professora da UVA dá dicas de como lidar com a sobrecarga

Cuidar de um idoso em casa envolve muito mais do que atender às necessidades básicas do dia a dia, inclui atenção constante, acompanhamento da saúde, administração de medicamentos, suporte emocional, sendo uma dedicação que exige tempo, paciência e preparo, especialmente quando ele apresenta limitações físicas ou cognitivas. A professora do curso de Psicologia da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Ondina Maria Alves de Almeida dos Santos, fala sobre os cuidados que devem ser tomados para que o responsável não se sinta sobrecarregado.

 

A rotina de quem cuida tende a se tornar intensa e, por vezes, exaustiva. O acúmulo de tarefas, a privação de tempo para si mesmo e a constante preocupação podem gerar impactos físicos, emocionais e sociais. É comum que o cuidador apresente sinais de estresse, ansiedade, irritabilidade, insônia, cansaço extremo e até isolamento, especialmente quando não há divisão de responsabilidades ou rede de apoio. Quando assumida por um familiar sem o devido suporte, pode se tornar uma sobrecarga significativa.

 

Além disso, a sobrecarga pode afetar outras áreas da vida, como trabalho, relacionamentos e saúde pessoal. O sentimento de culpa por não conseguir dar conta de tudo, somado à pressão emocional do cuidado, pode agravar ainda mais essa situação. “Cuidar não é uma atividade fácil, envolve responsabilidade e preparo. A falta de orientação adequada pode gerar insegurança, desgaste emocional e riscos evitáveis no dia a dia”, afirma Ondina.

 

Por isso, é fundamental reconhecer que cuidar de quem precisa também requer cuidado com quem cuida. Buscar apoio profissional, compartilhar responsabilidades com outros familiares e reservar momentos de descanso são atitudes essenciais para manter o equilíbrio. “Se permitir pelo menos a cada quinze dias sair de perto daquela realidade, num momento que seja um momento de lazer, sem estar trabalhando, almoçar na rua, ir a exposições, passear, esse intervalo de alguma forma quebra o peso da rotina”, ressalta.

 

Promover uma cultura de apoio, orientação e valorização do cuidador é indispensável para garantir que esse gesto de amor não se transforme em um fator de adoecimento, mas sim em uma experiência respeitosa e equilibrada para todos os envolvidos. “Buscar o apoio profissional é fundamental e conseguir conciliar com as obrigações do dia a dia faz com que você tenha um momento seu e possa se desconectar mesmo que por pouco tempo daquela realidade”, destaca.

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