Nem só de tradição vive o milho: ciência explica protagonismo do cereal nas festas juninas
Ingrediente símbolo do São João combina sabor, história e nutrientes que ajudam a torná-lo um dos destaques da temporada, explica professora de Nutrição da UVA
Basta a chegada de junho para que ele apareça em diferentes formas nas mesas brasileiras. Da pamonha ao curau, da canjica ao bolo de milho, passando pelo milho cozido e pela pipoca, o cereal é presença garantida nas festas juninas. Mas, se a tradição ajuda a explicar sua popularidade, a ciência mostra que existem outros motivos para o ingrediente ocupar o posto de protagonista das celebrações.
Cultivado há milhares de anos e amplamente adaptado ao clima brasileiro, o milho apresenta uma combinação de carboidratos, fibras, vitaminas e minerais que contribuem para uma alimentação equilibrada. Rico em amido e fonte de fibras alimentares, ele pode favorecer uma liberação mais gradual de energia quando comparado a alimentos ricos em açúcares simples. O cereal também contém vitaminas do complexo B e minerais como magnésio, fósforo e potássio, nutrientes importantes para diversas funções do organismo.
“O milho é um alimento que oferece carboidratos complexos, fibras alimentares, vitaminas do complexo B, minerais e pigmentos carotenoides (substâncias que contribuem com a cor e atuam como antioxidantes) importantes para o organismo. Além de fornecer energia, ele pode contribuir para a saciedade e integrar preparações nutritivas e saborosas, especialmente quando combinado a outros alimentos, especialmente saladas verdes, e consumido dentro de uma alimentação equilibrada”, explica Patrícia Souza, professora de Nutrição da Universidade Veiga de Almeida.
Outro ponto de destaque é a presença de compostos antioxidantes, como a luteína e a zeaxantina. “Evidência científicas vêm estabelecendo relação entre o consumo desses carotenoides, encontrados especialmente nas variedades amarelas do cereal, e a proteção da saúde ocular e câncer, entre outras doenças. Portanto, ajudam a reforçar o potencial nutricional do ingrediente, muitas vezes lembrado apenas por seu papel nas receitas típicas da época”, diz.
“As festas juninas fazem parte da cultura brasileira e devem ser aproveitadas com prazer. Consumo de quantidades adequadas e pequenas mudanças nos preparos, como reduzir a quantidade de açúcar, sal, manteiga e leite condensado, além de priorizar ingredientes naturais, permitem manter a tradição sem abrir mão de escolhas mais equilibradas”, afirma a professora.
Mesmo presente em preparações frequentemente associadas a doces e sobremesas, o milho pode ser consumido de maneira equilibrada. Segundo a especialista, pequenas adaptações nas receitas ajudam a preservar o sabor característico da época sem comprometer a qualidade nutricional dos pratos. A professora compartilha dicas de como aproveitar o milho de forma mais saudável nas festas juninas:
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1. Dê preferência ao milho cozido
Uma das formas mais simples de consumo, preserva boa parte das características nutricionais do alimento. Evite a adição de sal, principalmente se você tem pressão alta, e manteiga. Caso opte pelos dois, evite grandes quantidades deles.
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2. Reduza o açúcar das receitas tradicionais
Curau, canjica e bolo de milho podem manter sabor e textura agradáveis mesmo com menos açúcar, aproveitando o dulçor natural do cereal.
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3. Aposte em preparações caseiras
Ao cozinhar em casa, é possível controlar melhor a quantidade de açúcar, leite condensado e gorduras utilizadas nas receitas típicas.
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4. Acrescente ingredientes ricos em fibras
Aveia, coco ralado sem açúcar e sementes podem enriquecer bolos e cremes à base de milho, aumentando a saciedade e o valor nutricional das preparações.
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5. Equilibre as escolhas ao longo da festa
O segredo não está em excluir os quitutes típicos, mas em consumir as diferentes opções com moderação, respeitando as porções e mantendo variedade na alimentação.
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