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Por admin | 09/02/2026

Calor extremo é uma ameaça aos pets no verão

De hidratação reforçada a horários seguros de passeio, veterinária da UVA destaca os principais cuidados para evitar danos à saúde dos animais de estimação

Com a chegada das altas temperaturas, os cuidados com cães e gatos precisam ser redobrados. Os animais possuem mecanismos diferentes para regular o próprio calor, o que os torna vulneráveis a quadros de hipertermia, queimaduras e até problemas cardíacos quando não há entendimento sobre esse processo. Segundo Cristina Amarante, professora de Medicina Veterinária da Universidade Veiga de Almeida (UVA), compreender essas limitações é o primeiro passo para protegê-los no verão.

 

“Todos os animais fazem regulação de temperatura, mas cada um com capacidades diferentes. Os cães, por exemplo, têm poucas glândulas sudoríparas e dependem do ato de arfar (aumento da frequência respiratória) para perder calor. Arfar é o mecanismo natural de resfriamento dos cães. Quando respiram de forma rápida e ofegante, eles promovem a perda do calor pela respiração em conjunto com a perda pela água expelida, o que ajuda a reduzir a temperatura interna”, explica a especialista.

 

Algumas raças sofrem ainda mais. Cães como São Bernardo e Husky Siberiano, adaptados a climas frios, têm mais dificuldade em dissipar o calor, aumentando as frequências respiratória e cardíaca, produzindo mais saliva como forma de compensação. Já os braquicefálicos, como pug, shih-tzu e buldogue francês, e gatos, precisam de cuidado máximo: “Os cães de focinho achatado têm capacidade muito menor de perder calor. Os felinos costumam usar mais o banho corporal com a língua no calor, o que gera mais perda de água, portanto a hidratação deve ser constante, principalmente com o uso de fontes de água corrente para estimular a ingestão de água. Em situações extremas, podem até infartar”, alerta a professora, que compartilha algumas dicas:

 

 

1 – Passeios – horários certos e hidratação reforçada

 

No verão, passear nos horários inadequados pode ser extremamente perigoso. A recomendação é antes das 8h ou após as 17h. “Levar o animal para caminhar sob sol forte é submetê-lo ao sofrimento. Ele não tem as mesmas ferramentas que nós para se resfriar”, afirma a veterinária.

 

Além disso, as altas temperaturas podem causar queimaduras nas patas, especialmente em pisos como asfalto. Protetor solar específico para pets deve ser aplicado no nariz, orelhas, ou outras áreas com menos pelos e mais expostas ao sol. O tutor deve evitar coleiras com partes metálicas, que podem aquecer e queimar a pele do animal.

 

A hidratação também merece atenção. Água fresca e até gelada deve estar sempre disponível, de preferência em recipientes de barro, aço inox ou alumínio, que ajudam a manter a temperatura. Água de coco é bem-vinda e pedras de gelo podem ser oferecidas.

 

Se o animal precisar usar focinheira, o tutor deve garantir que o modelo permita a abertura da boca, essencial para que o cão possa arfar e controlar o calor.

 

 

2 – Em casa, ambiente fresco e banhos moderados

 

Dentro de casa, o ideal é garantir que o animal fique em locais sombreados e ventilados. A troca frequente da água e sua temperatura ideal, é fundamental, assim como observar se a área onde o pet permanece não recebe sol direto ao longo do dia.

 

Os banhos devem ser espaçados: a cada 15 dias é suficiente. “O excesso de banho remove a camada de gordura natural da pele, que é protetora”, explica a professora. Manter o pelo aparado, em raças muito peludas, também pode ajudar na regulação térmica.

 

A alimentação tende a diminuir no calor, o que é esperado. O ato de digerir os nutrientes gera energia e, consequentemente, mais calor, portanto, não é incomum que os animais comam menos durante os dias mais quentes.

 

 

3 – Atenção aos sinais de perigo

 

Qualquer alteração nas patas, como vermelhidão intensa, deve ser avaliada imediatamente por um veterinário.

 

Para Cristina Amarante, o mais importante é que os tutores mantenham atenção constante: “Quando falamos em calor, responsabilidade do tutor é determinante. Os animais dependem de cuidados simples, mas constantes, para evitar hipertermia e outras complicações. Vigilância e prevenção são fundamentais”.

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