UVA - Universidade Veiga de Almeida

Cursos de Graduação, Pós-Graduação, Mestrado e Extensão

Universidade Veiga de Almeida

Ligue para a UVA (21) 2574 8888


Acesso ao Sistema

Aluno
Professor
Esqueci a senha

Início > Notícias > Frente feminista do curso de Relações Internacionais da UVA promove ação “Mulheres Cotidianas”

Frente feminista do curso de Relações Internacionais da UVA promove ação “Mulheres Cotidianas”

25 de agosto de 2017

Objetivo é debater sobre o desafio de ser mulher no dia a dia

A Frente Feminista do curso de Relações Internacionais da Universidade Veiga de Almeida (UVA) está realizando a ação “Mulheres Cotidianas", através da página "Frente Feminista de RI" no Facebook, com o objetivo de ressaltar através de histórias, textos, poemas e poesias, o desafio que é ser mulher no dia a dia em uma sociedade feita de homens para homens. “Ser lésbica e feminista é saber que você vai ser ridicularizada duas vezes, silenciada duas vezes. Ao dizer que sou lésbica, sou vista como fetiche masculino. E, ao dizer que sou feminista, sou silenciada porque ninguém quer que uma mulher tenha voz, tenha força”, conta Talita Chaves, 18 anos, estudante de RI. 

A ação veio justamente para promover o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, celebrado no dia 29 de agosto. A data foi criada durante o I Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE), em 1996, no Rio de Janeiro, e surgiu como marco para defender a luta das lésbicas e mostrar os direitos, que além de homossexuais, também sofrem preconceito apenas pelo fato de serem mulheres. “A Frente é extremamente importante, pois toda semana fazemos reuniões englobando todas as mulheres e é um lugar em que elas podem trocar vivência e empatia. Fora isso, abordamos diversos assuntos, em que há muita compreensão por parte do grupo, fazendo com que enxerguemos esperança em um mundo caótico”, explica Fernanda Mello, 21 anos, estudante de Relações Internacionais. 

Algo que é constantemente debatido nas frentes e nos coletivos feministas é a falta de respeito e hipersexualização das lésbicas. Um ato comum de se pensar é que os homens gays são menos aceitos na sociedade, mas um dos fatos que possam explicar esse pensamento é que as mulheres sofrem fetiche por parte dos homens, por isso são “mais aceitas”. Por exemplo, se jogar no Google a palavra “gay”, vai encontrar diversas notícias de homofobia, mas se jogar a palavra “lésbica”, a maioria das páginas são cheias de vídeos eróticos. Além de ser fetichizada, a sexualidade da mulher lésbica também é desacreditada, questionada e diminuída, como nos comentários em que algumas pessoas fazem “essa daí só é assim, pois ainda não encontrou o cara certo”.

Além disso, a falta de política pública de saúde sexual é outro problema. Não existem, por exemplo, métodos contraceptivos para as relações sexuais entre mulheres, apenas para os homens. Entre os principais relatos, Fernanda conta que quando chegou no posto de saúde para ter atendimento ginecológico, a partir do momento que a médica soube de sua opção, a tratou como se não pudesse ter problemas de infecções sexualmente transmissíveis (IST’s), e que só teria caso fosse heterossexual. Após diversas abordagens sobre o mesmo assunto, em 2015, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Políticas de Equidade. Para Tratar Bem de Todos”, em que o foco está na saúde das mulheres lésbicas e bissexuais, para que todos tenham atendimento de qualidade no Sistema Único de Saúde (SUS).

Outro ponto é a falta de leis federais que possam combater a lesbofobia e a homofobia. Até hoje, não existe nenhum projeto de lei que combata o preconceito. E, o projeto que existia conhecido como PL-122, proposto pela deputada Iara Bernardi (PT), não avançou no Senado Federal. “A nossa política é completamente conservadora e como somos minoria, praticamente não temos espaço de fala, então tem coisas como a criminalização da homofobia, que não são levadas a sério e são colocadas em segundo plano, dificultando nosso progresso como sociedade”, destaca Talita.


Texto produzido por Ana Carolina Castelo Branco, do Laboratório de Comunicação Corporativa