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Flores descartadas pela sociedade

15 de maio de 2017

Curso de Psicologia realizou a XIII Luta Antimanicomial, promovendo um dia inteiro de atividades

O campus Barra da Universidade Veiga de Almeida (UVA) promoveu, nesta quarta-feira, a XIII Luta Antimanicomial, que tem como objetivo desconstruir o termo “manicômio” por meio de palestras, debates e filmes relacionados com o tema. O bloco carnavalesco Loucura Suburban participou do evento, cantando sobre a liberdade e contra o preconceito.

Essa é a ideologia do Instituto Municipal Nise da Silveira, antes chamado de Hospício Pedro II. O intuito da luta é romper os muros do instituto e transformar o preconceito contra a loucura em admiração e respeito. Para atingir esse objetivo, são formados grupos para oficinas como a de cultura – onde o bloco é produzido – de percussão, adereços, música e literaturas. A idéia é mostrar para quem está de fora que os usuários de saúde mental também podem ser integrados na sociedade.

Nise da Silveira, psiquiatra e defensora da luta antimanicomial, trabalhou para que o tratamento psiquiátrico fosse mais humanizado, utilizando a arte como ferramenta. Ainda hoje, sua filosofia é difundida. Na opinião de André Cabral, intérprete do bloco carnavalesco, o resultado das oficinas é um legado deixado por Nise. “Vir mostrar isso dentro de uma universidade, um lugar onde as pessoas estão ávidas pelo conhecimento, é romper os limites do hospital e mostrar que nosso trabalho está dando certo. Essa é a nossa luta, mostrar que somos capazes”.

A psicóloga Sandra Chiabi, que participou do evento, ratifica essa linha de trabalho. Ela afirma que é importante trazer esses eventos ao campus para gerar uma reflexão. “Precisamos trazer o sujeito para a sociedade e fazer com que ele crie laços”. Sandra reitera que essas questões não precisam ser apenas discutidas dentro da universidade, afinal a intenção é conscientizar a todos desse movimento.

Adilson Tiamo, um dos integrantes do bloco carnavalesco que se apresentou no campus Barra, aprendeu a escrever sambas e cantar. Mesmo com todos os problemas em sua família, ele reforça que a música é indispensável em sua vida e que é necessário sempre extrair o bem de todo acontecimento ruim. “Levo minha vida cantando. Quando você está bem, a família precisa de você. Quando está mal, eles te descartam. A gente tem que ver o lado bom das coisas, afinal no lixo também nascem flores”.


*Texto produzido por Lizandra rios e Gabriel Henrique, da Agência UVA, campus Barra