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Conceição Evaristo na UVA

09 de maio de 2018

Autora conversou com alunos e professores sobre questões de raça e gênero na literatura brasileira

A Universidade Veiga de Almeida (UVA), campus Tijuca, recebeu a escritora Conceição Evaristo para um bate-papo sobre a retratação da população afro-brasileira na literatura nacional. Com o mote “Autoria feminina negra: uma escrevivência de várias faces”, o evento organizado pelos cursos de Letras, Direito e Relações Internacionais também debateu sobre a falta de relatos históricos de personagens negros importantes para a formação social e cultural do Brasil.

Regido por poemas, autorais e de companheiros literários, o encontro da Conceição com a comunidade UVA voltou ao tempo da escravidão para relacionar o papel da mulher negra daquela época com a da sociedade atual. “Era função das escravas da Casa Grande contar histórias para fazer as crianças dormirem. Hoje, nós não contamos para fazer adormecer e sim incomodar pessoas que vivem nas suas modernas casas grandes”, relata. A autora fez um pedido aos presentes: que busquem e conheçam mais sobre a escrita negra brasileira.

Ela também expôs a ausência de personagens fecundantes nos livros. “A falta de mães negras, seja no sentido literal ou simbólico, ajudou a perpetuar a imagem submissa da mulher negra. No livro O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, existe duas personagens afro-brasileiras: Rita Baiana, que simboliza a mulata boa de cama que corrompe o pai de família cristã, e Bertoleza, descrita idiotizada, animalizada e que ‘morre focinhando’, segundo o autor”. Conceição também cita Xica da Silva, importante heroína brasileira retratada apenas como objeto sexual pelos escritores.

O esquecimento de personagens históricos negros foi outra pauta do bate-papo. “O quilombo de Palmares, por exemplo, existiu por quase 100 anos e pouco se fala dele nas aulas de História. A Revolta dos Malês, a mais importante ocorrida no estado da Bahia, é outro caso de como a trajetória negra no Brasil é desvalorizada”, destaca. As mulheres que lutaram pelo Brasil, brancas e negras, também sofrem da ausência de relatos em sala de aula. Segundo Conceição, a primeira figura feminina guerreira que as pessoas se lembram é Anita Garibaldi, mas existem outras como Maria Quitéria, Luiza Mahin e Maria Felipa que merecem ser lembradas nos livros de História.

A falta de credibilidade atribuída à fala da mulher negra foi outro ponto discutido entre a escritora e o público presente. “Clarice Lispector teve suas questões existenciais exaltadas pelos críticos enquanto Carolina Maria de Jesus, que também abordava o mesmo tema, mas com uma linguagem mais simples, foi esquecida, como se a mulher negra não pudesse ter os mesmos anseios e questões que a mulher branca”, ressaltou Conceição.


Texto produzido por Gabriel Brum, estagiário da Comunicação Institucional

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