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Aluna com paralisia cerebral se forma pela UVA

10 de abril de 2018

A estudante contava com a ajuda da mãe, professores e colegas de classe para assistir as aulas

Sheila da Silva Mamede é uma daquelas pessoas que não se deixa abater pelas adversidades da vida e luta para conquistar aquilo que almeja. Cheia de sonhos, foi em busca daquele que mais desejava: fazer uma faculdade. Com paralisia cerebral, Sheila se formou em Pedagogia pela Universidade Veiga de Almeida (UVA), campus Cabo Frio. Durante todo o curso ela contou com o auxílio da mãe, Magali, que a acompanhava nas aulas, e dos professores e colegas de classe. Ao final da graduação fez o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e usou a própria história como base para o Trabalho de Conclusão do Curso (TCC).

A coordenadora de Pedagogia do campus Cabo Frio, Marcia Quaresma, conta como foi a experiência de ter Sheila como aluna. “Foi um desafio trabalhar com uma estudante de inteligência preservada, mas com limitações de movimentos e fala. Era uma situação que nunca tínhamos vivenciado, porém sabíamos que éramos capazes de atendê-la assim que fomos procurados pela família”. A professora acreditava na rápida inclusão da Sheila pelos demais estudantes e professores do curso, o que de fato aconteceu.

“Ela era uma aluna participativa que perguntava e colaborava com comentários em sala de aula. As turmas em que estudava muitas vezes eram interdisciplinares e os estudantes dos outros cursos sempre a respeitaram entendendo a sua necessidade de falar devagar. O próprio campus já via com naturalidade a presença dela”, lembra. Marcia revela que apesar de precisar de atendimento especial para permanecer e progredir no curso, Sheila não deixou de cumprir nenhuma etapa do curso fazendo estágios e participando das atividades extracurriculares promovidas.

A coordenadora conta que no começo havia um espaço à frente das outras carteiras para a cadeira de rodas da aluna, mas que com o passar do tempo foi mudado. “Queríamos que ela se sentisse como qualquer outro estudante e por isso fomos adaptando as salas para que ela se colocasse onde desejasse como os demais alunos. A cadeira, antes empurrada só pela Magali, passou a ser dirigida pelos outros colegas onde fosse necessário”, lembra.

Marcia revela que o método de avaliação também foi adaptado. Era preciso descobrir qual a melhor forma de realizar as provas e trabalhos avaliativos em grupo e para isso, os professores foram testando maneiras até descobrir uma solução boa para os dois lados. “A Sheila fazia as provas em horário especial com os docentes das disciplinas. Aplicávamos provas orais com o mesmo nível de dificuldade realizado com a turma”, destaca. A coordenadora conta que sempre soube que a estudante era capaz de fazer as atividades por conta própria.

Além dos assuntos acadêmicos, outros temas foram abordados com a aluna durante a sua passagem pela UVA. “Sempre buscávamos conversar com ela e com a sua mãe a respeito da necessidade de desenvolver autonomia, independência e procurar novamente auxílio de especialistas que pudessem ajudá-la. Dessa forma ela voltou para a fisioterapia - na clínica escola da UVA no próprio campus - e para a fonoaudióloga - tratamento gratuito, pois a família não possui recursos para esse atendimento”.

Ao final do curso Sheila fez o Enade no final do ano passado como os demais colegas do curso e usou sua história para escrever o TCC "Resiliência e inclusão na educação: desafios e perspectivas na trajetória pessoal". Para a coordenadora, a estudante deixa um legado para todos que a acompanharam durante os anos: alcançar um sonho é possível. E complementa. “Ela nos deixa a mensagem que ter força e fazer sacrifício é necessário, ter apoio da família, apesar das condições financeiras, é essencial e, a maior delas, ter resiliência para superar as adversidades, transformando, crescendo e aprendendo com elas”.


Texto produzido por Gabriel Brum, estagiário da Comunicação Institucional